Meritocracia e Empreendedorismo vivem dando close por aí, quase como se fossem gêmeas siamesas ou #MaisQueAmigasFriends, sinônimas e inseparáveis. Mas a primeira questão que quero levantar aqui é: A quem interesse essa associação?

Há algum tempo venho criticando abertamente esse modelo clássico de empreendedorismo meritocrata que temos tão difundido por aí e que só faz sentido pra um “tipo” de empreendedor, que por muito tempo estampou as capas das revistas especializadas, sendo símbolo e sinônimo de sucesso.

E critico porquê, entre tantas outras questões, esse modelo, de empreendedor e de empreendedorismo, que aqui estou tratando como “tradicionais”, ignora dissimuladamente o fato de que nem todos partem do mesmo lugar ao empreender. Talvez porque em seu recluso grupinho fechado de “amigos empreendedores” todos venham sim de um lugar comum. E aparentemente, dentro dessa lógica de fazer negócios, então, a única métrica de sucesso possível é ganhar a maior quantidade de dinheiro no menor tempo possível.

Mas não tem como esta equação fechar de forma positiva pra todo mundo e a situação é tão absurdamente clara que me assusta algumas tantas pessoas fazerem “vista grossa” para ela. Para a maioria das pessoas que se põe a empreender, inclusive, o cenário é bem diferente disso. Num exemplo muito direto, vamos lá: Existe um nicho de mercado supimpa, pouco explorado em uma determinada cidade, e que foi identificado por três pessoas diferentes, que resolvem então empreender para atendê-lo.

Uma “Pessoa A” pega um pequeno empréstimo com o seu banco, para se estruturar minimamente e atender essa demanda na cidade, abrindo um CNPJ para poder emitir nota fiscal, tudo nos conformes. Já uma “Pessoa B” aproveita parte da sua reserva financeira, que juntou com algumas economias no último ano, para primeiro estruturar a sua ideia e então começar a apresentá-la em rodadas de investidores, pois tem bons contatos e acredita que esse nicho pode representar uma oportunidade nacional. Enquanto uma “Pessoa C” resolve botar a sua ideia no mundo com o pouco que tem e atender essa demanda no seu bairro mesmo, de maneira informal, como pode e com a ajuda da família, pois sequer conseguiria crédito bancário.

Tendo essa situação ilustrativa em mente, como podemos então falar de um empreendedorismos único? Lançando sob o mercado uma lógica linear estruturante que acaba definindo quem deve/pode ser chamado de “empreendedor de verdade”, formatando uma única métrica de sucesso para todos os negócios, seja lá qual for, sem sequer considerar, claro, o empreendedor por trás daquela ideia que está sendo empreendida.

Sério! É urgente botarmos em questão que cada empreendedor(a) é uma pessoinha, com história e repertório de vida próprios, e que justamente o que torna a sua jornada e suas realizações tão únicas é a forma como empreende suas ideias no mundo. Por isso, proponho:

  1. Se você não empreende, proponho o exercício de não colocar imediatamente qualquer pessoa que resolva empreender ao seu redor nessa lógica de competição predatória, sem considerar o(a) empreendedor(a) por trás do empreendimento.
  2. Se você empreende, proponho que seja carinhoso com você mesmo e não pasteurizar todo seu esforço diário, olhando para o seu empreendimento e pensando apenas no quanto ele é financeiramente agora escalável ou não, se comparando deliberadamente com os empreendedores ao redor! (Não é fácil, eu sei disso também, tamo junto!)

Fechô? 😉

Robledo Magalhães

Autor Robledo Magalhães

Publicitário, analista de mídias sociais e administrador de formação, com especialização também em processos criativos. Uffa! Criou o LAB31, que funciona como um laboratório de ideias para empoderar as pessoas em seus negócios, ensinando e dando autonomia.

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